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Os sete caminhos para Machu Picchu

A Revista Viagem publicou recentemente a reportagem abaixo transcrita resumidamente, onde a Canada Turismo é citada como uma especialista em turismo no Peru.

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De mochila, de trem, em hotel caro, numa barraca... Para chegar ao maior sítio arqueológico da América do Sul, não é mais necessário passar por um calvário. Eis os caminhos que levam você até lá  

O inglês Samuel Garret, de 22 anos, acorda antes das 6 da manhã em Cusco para encarar a Trilha Inca, a longa. Veste bota de trekking, camisa dry fit e se prepara para quatro dias de caminhada intensa por vales e montanhas. Se alonga, respira fundo: não tem nenhum sintoma do soroche, o temido mal das alturas, que causa náusea e dor de cabeça. Desce até o saguão do Prisma Hotel, um hotel baratinho de Cusco, e se encontra com o grupo de mais sete viajantes. O guia passa para buscá-los em van, que  os leva até o quilômetro 82 da estrada que une Cusco a Machu Picchu. Ali começam os trabalhos. Como na fronteira de um país estrangeiro, carimbam o passaporte num check-point que oficializa o início da trilha. "O primeiro dia é fácil", diz Samuel. "Mas, no segundo, tínhamos de criar fôlego para alcançar o topo da Montanha Warmiwanusca, a 4 125 metros de altura." Samuel não precisava fazer nada além de caminhar. O trabalho de armar as barracas e preparar as refeições cabia a dois guias. Todo o equipamento era levado por carregadores, que realizavam a atividade com agilidade e prontidão. Mas a trilha é dura. Ele lembra que, no terceiro dia, foram oito horas exaustivas até chegar a uma estalagem, a primeira e única do trajeto, onde havia banho quente, cerveja, chocolate e outras pequenas regalias. O prêmio veio no quarto e último dia. "Ver o sol nascer em Machu Picchu recompensou todo o meu esforço. O cenário é indescritível."

Os americanos Christina e Mathew Heartew, ambos passando os 40, também acordam cedo, mas nem tanto. Tomam o café da manhã no Casa Andina, um hotel bacaninha de Cusco, pegam um táxi para Poroy, a estação de trem, que sairia às 9 horas para Machu Picchu. Os tíquetes tinham sido reservados e comprados pela internet, a quase 300 dólares cada um. Sentam-se confortavelmente, dão-se as mãos e pedem um drinque: estão ali para comemorar sua segunda lua de mel. Vestem roupas claras, quase iguais. Durante o caminho, o trem, batizado com o mesmo nome do historiador que "descobriu" Machu Picchu, em 1911 (o americano Hiram Bigham), passa por belas paisagens do Vale Sagrado: campos de trigo e arroz e criações de gado. Ao chegar à cidade de Ollantaytambo, surge o bonito Rio Urubamba, que começa a descer com força até chegar a Águas Calientes. Em apenas uma hora de viagem, mr. e mrs. Heartew não fazem nenhum esforço, apenas o de olhar a paisagem e de decidir se pedem um champanhe ou um pisco sour. Uma hora depois, estão aos pés de Machu Picchu.

Mais de 3 500 pessoas chegam a Machu Picchu todos os dias, por trilhas ou trem. O destino deixou de ser apenas reduto de mochileiros e místicos que chegavam até lá por caminhos que só Deus sabe. Hoje há quatro trilhas, demarcadas e controladas rigorosamente, três delas com abrigos de luxo (deixando no chinelo o velho albergue onde até hoje deve haver hippies dançando  ao som de Age of Aquarius). Três trens partem diariamente da estação de Poroy, a 20 minutos de Cusco. O Hiram Bingham é o mais chique. O Vistadome tem teto de vidro. O Backpacker, mais conhecido como "trem dos mochileiros", nem é tão desconfortável, como eu mesma pude constatar. As poltronas são posicionadas em grupos de quatro, o que facilita fazer amizades. As mochilas têm lugar apropriado para elas, e há até serviço de bordo. Tudo isso faz de Machu Picchu o destino mais concorrido do Peru. Brasileiros também apreciam. No ano passado, 62 mil foram para o país, já o terceiro mais visitado da América do Sul, depois de Argentina e Chile. Embora não haja números ofi ciais, sabe-se que a maioria pelo menos dá uma passadinha em Machu.


Mas voltemos a Samuel e ao casal Heartew. Enquanto um chegava "por cima", olhando o sol nascer já entre as ruínas de pedra, o outro estava lá embaixo, tendo recém-desembarcado do Hiram Bingham na pequena e simples cidade de Águas Calientes. Estrategicamente montada à beira da estação, uma feira artesanal exibe um mundaréu de lojinhas que vendem desde chullo (o gorro típico peruano) até anéis e colares de prata. É duro passar sem se atrasar para o ônibus que faz o leva e traz até a entrada do parque, num trajeto cheio de curvas rentes a precipícios que dura longos 40 minutos. Ao sair do ônibus, você já depara com a estrutura externa: são dois banheiros (a 1 sol cada utilização), guarda-volumes (5 soles para deixar suas coisas e entrar livre e solto na cidadela), uma lanchonete e o exclusivo hotel Sanctuary Lodge, da rede Orient Express, cuja diária começa em 852 dólares, mas que cobra cinquentinha por um bufê apenas razoável para não hóspedes.

Então se dá a mistura: tanto quem chegou pelas trilhas quanto quem subiu no ônibus desde Águas Calientes se encontra, finalmente. Ter guia não é obrigatório, mas a maioria já vai com um grupo fechado, acompanhado por um guia local. São raros os que entram sozinhos - e, se o fazem, acabam grudando em outros para pescar uma ou outra informação histórica ou até de engenharia, como a que me ofereceu Raúl Seossa, terceira geração de guias de sua família. Com clareza, ele explicava o complexo sistema de drenagem do solo construído pelos incas. "Pura tecnologia inca!" Zelo também fazia parte de seu repertório. "Não fume, minha senhora. Este é um lugar sagrado", dizia a uma integrante do grupo que pretendia acender um cigarro na frente do Templo do Sol, a enorme pedra horizontal que servia de altar inca.

O tour básico por Machu Picchu em geral dura duas horas. Não poucos abandonam as tarefas antes do fim. Gostam de deitar-se nos gramados, comer um lanche e até dar uma dormidinha diante daquele visual único. Às 17 horas, o parque é fechado, numa fiscalização rigorosa, muito diferente dos anos 1970 e 80, quando mochileiros adormeciam na cidadela sem nenhum tipo de restrição. Hoje, restrição está na ordem do dia. Bom, pelo menos do século. A Unesco, que cuida do sítio arqueológico, estuda um plano de limitação de visitantes, que deve ser concluído até 2020. Enquanto 2020 não chega, apenas as trilhas têm limite: 500 pessoas por dia (incluindo carregadores e guias). Para subir a Wayna Picchu, imponente montanha que, se você ainda não viu ao vivo, certamente viu em um dos cartões-postais mais famosos do planeta, são aceitos apenas 400 visitantes por dia. Mas, para o parque, não há limites. Em 2000, uma equipe de filmagem que estava gravando uma propaganda da cerveja Cusqueña (deliciosa, por sinal) deixou cair uma grua em cima do Relógio do Sol, ou Intihuatana, no idioma ancestral. Até hoje há uma corda de proteção em volta do monumento.

Já passava das 4 da tarde quando o jovem inglês percebeu que a missão estava cumprida, depois de quatro dias de trilha ou 42 quilômetros que ele, agora, nem lembrava que vencera. Algumas horas antes, o casal americano também dava por encerrada sua visita confortável a uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo. A volta foi feita por ambos do mesmo jeito: desceram até Águas Calientes, tomaram um trem para Ollantaytambo e depois uma van os levou a Cusco. Nem repararam direito no trajeto. Não cabia mais nada.

O código telefônico de Águas Calientes é 51/84

Águas Calientes 

FICAR
Para estar aos pés da cidade perdida dos incas, o Sumaq Hotel (Avenida Hermanos Ayar Mz, 1, lote 3, 8421-1059, sumaqhotelperu.com; diárias desde US$ 451, com pensão completa; Cc: todos) é uma das melhores alternativas. De frente para o Rio Urubamba e com vista para as montanhas, tem um luxuoso spa (pago à parte) com dez tipos de tratamento, sauna e até aulas de culinária para os hóspedes. O Inka Terra (Avenida Sol, 8674-9807, inkaterra.com; diárias desde US$ 919, com pensão completa; Cc: todos), de arquitetura colonial, tem lareira nos quartos e hidro privativa em algumas cabanas. No spa, há tratamentos com folha de coca. O Inti Inn (Avenida Pachacutec, 4, 211-137, grupointi.com, diárias desde US$ 55; Cc: todos) é parecido com a maioria dos hotéis da pequena cidade: simples, com TV a cabo nos quartos e calefação. Tem restaurante próprio. Um dos melhores albergues é o La Cabaña (Avenida Pachacutec, 20, 211-137; diárias desde US$ 40; Cc: todos). Além de ser limpo e bem arrumadinho, tem quartos exclusivos para casais.

COMER
O restaurante Indio Feliz (Calle Lloque Ypanqui, 4, 211-090, indiofeliz.com; 2a/dom 12h/16h e 18h/22h; Cc: todos) é dica certa para comer bem. Os donos são um casal franco-peruano - e cada qual dá seus pitacos na cozinha. Muitos estrangeiros aparecem por lá, e os jantares são bem concorridos (por isso, é bom reservar). O menu, com três tipos de prato, custa em média US$ 20. O Chez Maggy (Avenida Pachacutec, 156, 211-006; pizzeriachezmaggy.com.pe; 2a/dom 10h/22h) faz pizzas no forno a lenha e serve cerveja bem gelada. Suas paredes são de vidro - com vista direta para o Rio Urubamba. O vegetariano Govinda (Avenida Pachacutec, 975-3993; 2a/dom 14h/20h; Cc: M, V) mistura comida indiana com andina, servindo pratos com iogurte e produtos naturais da região. O menu de três pratos custa US$ 3. O Pueblo Viejo (Avenida Pachacutec, 108, 211-193; 2a/dom 15h/18h; Cc: todos) é um dos mais animados points da cidade. O restaurante é especializado em "churrasco": serve carne de alpaca, lombo, porco e também uma boa pizza, além de ter menus baratos, que incluem três pratos e custam US$ 6.

AGITAR
Os bares de Águas Calientes normalmente funcionam até as 23h - depois disso é mais difícil achar algo aberto. Servem mais para happy hour antes de ir para o hotel. Os mais animados são o Tezao Restaurant & Bar, que tem um terraço no 20 piso, o Big Brother, com promoções tentadoras como "3 cervejas por US$ 2", e o Ampu, ao lado, que também serve pizza. Todos na Avenida Pachacutec.

O código telefônico de Cusco é 51/84

Cusco

FICAR
O Hotel Monasterio (Calle Palacio, 136, 604-000, monasterio.orient-express.com; diárias desde US$ 594; Cc: todos), da rede Orient Express, foi construído dentro de um antigo monastério - hoje mantém uma capela lindíssima, onde recepciona os hóspedes. Tem quatro pátios internos, restaurante e um lounge bar - e detalhes que fazem a diferença, como oxigênio extra para ajudar na adaptação à altitude. Dos cinco hotéis da rede Casa Andina (Portal Espinar, 142, 213-9739, casa-andina.com; diárias desde US$ 77, Cc: todos), o melhor se encontra ao lado da Plaza de Armas. Tem duchas fortes e quartos muito confortáveis. Ali perto, o Loki Hostel (Cuesta Santa Ana, 601, 243-705, diárias desde US$ 8, Cc: A,D,M,V)é um bom albergue, com quartos coletivos e banheiros (com água quente) sempre limpos. O preço inclui café da manhã completo.

COMER
Por toda a cidade você encontrará os famosos menus, que variamde US$ 1 a US$ 10. Mas, se preferir um restaurante à la carte, vá ao Inka Grill (Calle Porto Banes, 115, 262992; 2a/dom 11h/23h; Cc: todos) para uma boa parrillada de carnes andinas, em frente à Plaza de Armas. Por um churrasco de alpaca mais pisco sour e sobremesa, você pagará em média US$ 25. O descolado Pachapapa (Plazuela de San Blas, 120, 241318; 2a/dom 10h/22h30) serve comida típica e pizza.

AGITAR
A cidade tem mais de 20 discotecas espalhadas pela Plaza de Armas e outros bairros próximos. Se você não procura tanto agito, pode terminar a noite bebendo drinques e cerveja (mais cerveja que drinques) nos pubs de estilo europeu, como o Paddy's (Calle Triunfo, 124, 247-719, paddysirishbarcusco.com; 2a/dom 10h/3h) e o Cross Keys (Portal Confi turías, 233, 233-865, cross-keys-pub-cus co-peru.com; 2a/dom 16h/3h, Cc: todos), nos balcões coloniais da Plaza de Armas. As cervejas custam, em  média, US$ 3, como a nacional Cusqueña.

COMPRAR
Ao redor da Plaza de Armas você encontra lojas muito caras, que vendem suvenires, chompas (casacos feitos de lã de alpaca) e objetos de prata a preços para turistas. Para fazer melhor negócio, pegue um táxi e vá até o Mercado Artesanal de Cusco (Avenida El Sol esquina com Calle Tullumayo; 2a/dom 9h/22h), que tem mais de 50 lojas com todo tipo de artigos, inclusive uma que só vende produtos derivados da folha de coca, como chocolates, doces e bebidas.

 

O código telefônico de Machu Picchu é 51/84

Machu Picchu

FICAR
O Sanctuary Lodge (Machu Picchu, Cusco, 816-956, machupicchu.orient-express.com; diárias desde US$ 952; Cc: todos) é o único hotel que realmente fica na área da cidade de Machu Picchu, em frente à entrada da bilheteria para quem chega de ônibus. O hotel de luxo tem apenas 29 quartos e, além de cobrar pela vista, também oferece serviços como massagem, água mineral grátis no frigobar do quarto, pensão completa (não inclui bebidas) e traslado diário até o povoado de Águas Calientes.

O essencial

QUANDO IR
O Peru é um país que pode ser visitado o ano inteiro. Porém, em fevereiro, a Trilha Inca é fechada para manutenção. O período de chuvas mais intensas é entre novembro e fevereiro. Junho, julho e agosto são os meses mais cheios, pois são férias europeias e as trilhas ficam lotadas. A melhor época para os brasileiros é entre fevereiro e maio, quando os preços ainda são de baixa temporada e o frio não é tão intenso quanto em julho.

O QUE LEVAR
Toda a região da serra peruana, onde se encontram Cusco e Machu Picchu, tem o terreno irregular e íngreme. Não hesite em comprar uma bota ou um tênis especial para trekking. É muito importante garantir o conforto e a proteção dos pés, já que a proposta ali é andar muito. Água também é uma companheira indispensável; por causa da altitude, a umidade do ar muitas vezes é baixa.

DOCUMENTOS E SAÚDE
O Peru faz parte da Comunidade Andina, que tem acordos com o Mercosul. Portanto, não é necessário levar o passaporte, apenas o RG, que será aceito tranquilamente em qualquer parte do país. Vacina contra febre amarela é exigida. Você deve tomá-la ao menos dez dias antes de embarcar, em qualquer posto de saúde, e depois validar o documento, cujo registro vale internacionalmente, no aeroporto (ou no Hospital das Clínicas) antes de viajar. É obrigatório apresentar o comprovante da vacina ao entrar no país, junto com a carteira de identidade.

COMO CHEGAR
A TAM (4002-5700, tam.com.br) tem voo direto entre São Paulo e Lima desde US$ 470. A Taca (0800-7618222, taca.com) tem voos desde US$ 541; e a LAN (0800-7610056, lan.com), desde US$ 560. O voo da Copa Airlines (11/3549-2672, copaair.com) faz escala no Panamá e custa desde US$ 650. Para chegar a Cusco, você deverá fazer uma conexão no aeroporto Jorge Chávez, em Lima. As companhias que fazem a rota são a LAN (0800-7610056, lan.com), que tem acordo com a TAM, caso você compre a passagem direta entre São Paulo, Lima e Cusco via TAM. A low-cost Star Peru (51-1/705-9000, starperu.com) tem os voos mais baratos: desde US$ 259.

QUEM LEVA
A Canada Turismo (19/3869-3300, so-peru.com.br) tem pacote básico de quatro noites, com city tour em Lima e Cusco mais passeio ao Vale Sagrado e Machu Picchu, desde US$ 1 427. A Queensberry (11/3217-7200, queensberry.com.br) divide sete noites entre Vale Sagrado, em hotel quatro-estrelas, Cusco e Lima, com city tour nas cidades e passeio a Machu Picchu, desde US$ 1 142. A Pisa (11/5052-4085, pisa.tur.br) faz roteiro combinado com a trilha Salcantay (hospedagem em lodge), passeio a sítios arqueológicos de Cusco e Vale Sagrado, desde US$ 3 490. Um roteiro curto com a CVC (11/2191-8911, cvc.com.br), de apenas três noites, inclui a primeira em Lima e mais duas em Cusco, com passeio a Machu Picchu no trem Vistadome e almoço incluído, desde US$ 1 278. A Agaxtur (11/3067- 0900, agaxtur.com.br) tem pacote luxuoso de seis noites, com direito a ida e volta no trem Hiram Bingham, além de passeios pelos sítios arqueológicos de Cusco e city tour em Lima, desde US$ 2 353. A Freeway (11/5088-0999, freeway.tur.br), especialista em viagens de aventura, tem dois roteiros de caminhada (incluindo a Trilha Inca curta) mais city tour em Lima e Cusco, em seis noites, desde US$ 2 224. Consulte também seu agente de viagens.

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